domingo, 30 de setembro de 2012

Quem é que sabe amar?

Momentos são momentos
Lugares são lugares
Sozinho aos prantos
O pensamento vai pelos ares

O vento sopra indelével
Talvez em outra direção
Não tente entender alma
Pois quem bate é o coração

E o que se perde num momento
É o que se perde num lugar
A culpa vai ser dada ao vento
Que sopra intensamente cheio de ar

Entender o momento
Entender o Lugar
Entender o vento
Entender o ar

Quem é que sabe amar?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Eu sou o Rádio"

25 de setembro, dia do Rádio e da Radiodifusão. Nesta data em 1884 nascia Roquete Pinto - o "Pai do Rádio Brasileiro" - e por isso, comemora-se o Dia do Rádio. Roquete fundou a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1923.

E para homenagear este "instrumento" nada melhor do que o texto de Hélio Ribeiro,  nome artístico de José Magnoli, (São Paulo, 24 de julho de 1935 — São Paulo, 6 de outubro de 2000) radialista, jornalista e narrador brasileiro. Texto este escrito para a Rádio Excelsior no Dia do Rádio em 1989. Por mera coincidência o ano em que eu nascia, muita coisa se explica por aí! 


Com vocês: "Eu sou o Rádio" por Hélio Ribeiro.


” Meu nome é rádio, minha mãe é dona Ciência, meu pai é Marconi.
Sou descendente longínquo do telégrafo, sou o pai da televisão.
Fisicamente sou um ser eletrônico.



Meu cérebro foi formado por válvulas, minhas artérias são fios por onde corre o sangue das palavras.
Meus pulmões são tão fortes que consigo falar com pessoas dos mais distantes pontos deste pequeno planeta chamado Terra.
Minha vitamina chama-se kilowatt. Quanto mais kilowatts me dão, mais forte eu fico e mais longe eu falo.
Hoje, graças as baterias que me alimentam eu posso simultaneamente levar informações aos contrafortes das cordilheiras, às barrancas dos rios, ao interior de veículos que trafegam no centro nervoso das grandes cidades, à beira plácida dos lagos, à cabeceira dos doentes nos hospitais, aos operários nas fábricas, aos executivos nos escritórios, aos idosos que vivem só e às crianças que só vivem.
Eu falo aos religiosos, aos ateus, às freiras, às prostitutas, aos atletas, aos torcedores, aos presos, aos carcereiros, banqueiros, devedores. Falo aos estudantes e professores…
Seja você quem for, eu chego lá, onde quer que você esteja!
Ao meu espírito resolveram chamar “ondas”.
Eu caminho invisível pelo espaço para oferecer ao povo a palavra, a palavra nossa de cada dia.
Mas estou sempre sujeito a cair em tentação e às vezes não consigo me livrar de todo mal.
Quando eu nasci, meu pai me disse que eu tinha uma missão: ajudar a fazer o mundo melhor, entrelaçando os povos de todas as partes deste planeta.
Meu nome é rádio.
Eu não envelheço, me atualizo.
Materialmente eu sou aperfeiçoado a cada dia que passa.
As grandes válvulas do meu cérebro foram substituídas por minúsculos componentes eletrônicos.
Os satélites de comunicação, gigantescos engenhos girando na órbita deste planeta, permitem hoje que eu seja mais universal, mais dinâmico e menos complicado, como meu pai Marconi queria que eu fosse.
Minha forma técnica tem sido aperfeiçoada a milhares de anos luz, mas eu acho que no todo, o meu conteúdo ainda necessita ser burilado e melhorado, e trabalhado e aperfeiçoado.
Tenho noção, mas eu já perdi a conta, do número de pessoas que eu ajudei indicando caminho, devolvendo a esperança, anulando a tristeza, conseguindo remédios, sangue, documento perdido, divulgando nascimentos e passatempos.
Mas eu não sou tão sério assim como eu posso estar parecendo.
Na verdade, um dos meus principais interesses é fazer com que as pessoas vivam mais alegres.
Por isso, passo grande parte do meu tempo ensinando as pessoas a cantar e a dançar, minha grande vontade é a de ser amigo, sempre.
O amigo que todos gostariam de ter: útil nas horas sérias, alegre nas brincadeiras e responsável… sempre!
No esporte tô sempre em cima do lance; nos dois lados da rede das bolinhas de tênis ou de voleibol, e lá vem bola, na área do futebol, jogou na cesta tô lá, nadou, pulou, saltou, pegou, virou, driblou…
Pode ser no pequeno clube da periferia ou nos grandes estádios Olímpicos.
Tenho noção de minha força política. Com uma notícia que dou, eu posso ajudar a eleger o diretor de um clube ou derrubar um presidente.
Entendo minha grande responsabilidade de agente acelerador das modificações sociais.
E morro de medo, que me transformem em um mentiroso alienador.
Sem querer ser vaidoso, eu posso até afirmar que se eu não tivesse nascido, o mundo não seria o mesmo.
Meu nome é rádio.
Eu não quero ser mal entendido.
Eu sou apenas um instrumento.
Para fazer tudo isso que eu disse que faço eu preciso de uma equipe, de seres humanos, humanos!
Que não tenham medo do trabalho, que entendam de alegria, emoções, fraternidade, que saibam sentir o pulso do campo e o coração da grande cidade.
E que tenham noção básica de tudo aquilo que fazemos é para conquistar ouvidos.
O que jamais conseguiremos, se nos esquecemos, que minha existência se deve ao número dos que me ouvem.
O rádio vale pelo volume e a qualidade dos seus ouvintes.
Eu podia fazer muito mais, mas às vezes falta dinheiro pra fazer tudo o que quero.
Eu sei que posso realizar o sonho do meu pai e mudar o mundo pra melhor.
Outro dia fiquei muito triste quando ouvi um tal de Hélio Ribeiro dizer que eu, o rádio, sou “a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo”
Eu sou apenas o instrumento.
Eu preciso de gente que me entenda, me respeite e que me ajude a cumprir a minha missão.
Ah, com alegria, muita alegria… Se possível. ”

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Começa o espetáculo!!!

As primeiras estacas de aço já estavam de pé
A grande lona foi esticada a mais de um mês
Uma circunferência se formava no cotidiano
E sabe-se lá quem foi que a fez

As cortinas estavam imóveis
Ao fundo apenas meros boatos
Nada acontecia no palco
Faltavam os palhaços

O povo até torcia pra não acontecer
Mas tudo estava preparado
Não tinha como evitar
E tudo foi começar no dia marcado

Agora salve-se quem puder
A poeira, a fumaça e o som já estão no ar
As cortinas foram abertas para o espetáculo
E eu não vejo a hora de isso acabar

45 dias e 45 noites
É tempo de sobra pra enganar
Pobre coitada é a vovó
Que nem sequer tem o que falar

Fechar os olhos? Tapar os ouvidos?
Nada disto amigo!
Faça a diferença com a sua escolha
E, se tiver estômago e uma uma boa dose de paciência, aprecie o horário político.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sozinho você não é nada


Um grão de areia não é nada
Uma gota de água não é nada
Um raio de luz não é nada
Eu, tu, ele,... Nós não somos nada

Sozinho o ser humano não é nada
E demorou muito, mas eu compreendi
Que o nada sem o ser humano só existe
Até que eu apareça perto de ti

Quando esse momento acontecer
Tudo estará mais nítido
O nada irá desaparecer
E a vida fará mais sentido
Pois juntos somos mais 
Areia sem cimento não é concreto
Terra sem vida não combina 
E eu sem você não está certo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

No apagar das luzes

Quando o último feixe de luz se perde no espaço tudo volta ao início. Não há sol, não há lua, não há estrelas, não há luz alguma pairando no ar. Poucos notam ou podem imaginar esse momento que é único e parece não terminar.

Tudo se apagou!
Hora de acordar!
A mente já está limpa, leve e fresca. O pensamento renovado para iniciar mais uma jornada em busca do “novo”.

Nada tem forma, cor, cheiro, peso ou som. Tudo começa a ser construído a partir deste instante e da maneira como aparecer, crescer e for evoluído em nosso pensamento.

Somos nós que determinamos, ao menos neste instante, o queremos ter em nosso mundo. Um mundo cheio de vida, cheio de diversidades, cheio de recursos intermináveis. Um mundo de saúde, amores e muita paz entre os criadores, seres humanos, fauna e flora. Enfim um mundo maravilhoso, mesmo sendo quase que 100% utópico.

O momento é pra isso mesmo, pois no pensamento ninguém pode nos deter. Apenas o tempo.

A noite se vai. Os primeiros raios de luz brilham no horizonte pela manhã. Os objetos começam a tomar forma em todo lugar. Logo as imagens do cotidiano ganham cor e tudo voltara a ter sentido para os seres diurnos. Não que antes não tivesse, mas estavam ofuscados pela escuridão, pelas trevas, pelo vazio que consomem suas mentes sem imaginação.

A luz voltou. O dia clareou. Tudo apareceu. Nada mais precisa ser descoberto hoje. Adormeceremos no nascer do sol com a esperança de acordar no escuro para descobrir o mundo que se transforma nas trevas. Descobrir o mundo que cada um imagina no apagar da luzes.